quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Não bastam os oráculos. Sociólogos e psicólogos sociais: ao trabalho!

Ouvimos o filósofo José Gil na televisão falar do medo e da descrença que a crise económica e a falta de perspectivas políticas estão a criar na sociedade portuguesa. Ouvimos o ancião Adriano Moreira supor que estamos a franquear as fronteiras da fadiga fiscal. (Para já não referir as massagens afectivas diárias do dr. Machado Vaz.)
Estas e outras vozes são avisos, talvez sábios, mas que a “máquina social de produzir opinião pública” também gera, por mor da notoriedade de alguns e da necessidade de evidenciar de outros.
E o que andam a fazer os sociólogos nestas circunstâncias, para além daqueles que, compreensivelmente, aproveitam as oportunidades que se lhes deparam para divulgar as suas próprias convicções?
O que estão produzindo os psicólogos sociais que certamente têm outros saberes e competências diferentes dos seus colegas clínicos que ajudam as pessoas a sobreviver ou a encontrar os seus melhores equilíbrios?
Para além do serviço prestado aos empregadores que lhes pagam; ou das cliques partidárias ou académicas em que alguns se arregimentam – é lícito que a sociedade em que vivem espere mais alguma coisa de positivo da sua ciência do que aquilo que lhe tem sido proporcionado até agora, de que só parecem aproveitar alguma coisa as instituições de poder (como os governos, os partidos ou os grandes grupos económicos) ou de contra-poder (como as oposições, os sindicatos ou alguma comunicação social).
Os sociólogos e psicólogos sociais universitários são supostos realizar investigação científica, ao mesmo tempo que ensinam. Aproveitem essa circunstância para produzir também informação e ensinamentos práticos e úteis aos agentes sociais e às pessoas comuns que melhor os armem para enfrentar, com autonomia e responsabilidade, as dificuldades do presente!
Os areópagos científicos são indispensáveis para o debate teórico. Mas os seus protagonistas devem lembrar-se da história da douta discussão acerca do sexo dos anjos quando os bárbaros já estavam galgando as muralhas da sua cidade.
JF / 11.Out.2012

1 comentário:

  1. José Gabriel Pereira Bastossábado, 27 outubro, 2012

    Como antropólogo e psicanalista, o meu espaço no FB (José Gabriel Pereira Bastos), alimentado dia após dia, mantém uma reflexão pública fundamentada sobre a crise actual e sobre o fracasso da democracia portuguesa, comprometida por jogos confusionais, e incapaz de reagir à violência capitalista neoliberal que está a afundar o país por muitos anos e a devastar famílias. As minhas reflexões e inferências são bem diversas das que encontro aqui, nomeadamente a crítica extemporânea dos movimentos independentistas (que simpatia é essa pelos Impérios?) e a adesão ao Federalismo (uma nova maneira de criar Impérios sem o assumir), J.F. Abraço, JGPB

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