domingo, 16 de janeiro de 2011

Quoi de neuf na Tunísia?

Depois de 23 anos de poder presidencial instalado na Tunísia, na senda do “pai” Bourguiba, o povo urbano revoltou-se, apertado pelas condições económicas, e ao fim de alguns dias de motins e confrontos conseguiu derrubar e pôr em fuga o presidente Ben Ali (eleito, à maneira destes regimes de poder pessoal).
Saudemos os que se rebelaram contra um sistema cujos principais pontos de apoio são “o palácio” (que vem do tempo dos Bey e se manteve sob os colonizadores franceses), os aldeamentos turísticos, as mesquitas, os aquartelamentos militares e policiais, uma classe média letrada já com os pés assentes na universidade e nas empresas, e os numerosíssimos bairros pobres dos subúrbios! Lamentemos os familiares das vítimas desta sublevação! Mas o caminho que se abre agora está cheio de indeterminações.
Haverá mesmo eleições dentro de 60 dias e serão elas, processualmente, livres e justas?
Tal como se pode ver em canais televisivos, os ‘Irmãos Muçulmanos’ (e outros militantes islamistas radicais) terão estado certamente nas primeiras filas dos confrontos e tudo farão para controlar as dinâmicas que aí vêm. Quanto valerão eles eleitoralmente? Tentarão outras formas de luta, pela violência?
Externamente, que influência isto terá no Egipto, em Marrocos, na Argélia ou mesmo na Jordânia? Perante estas mudanças, como agirão os intratáveis líderes da Líbia e do Sudão?
Irá o “retorno do pêndulo” produzir uma nova ditadura ou conseguirá a Tunísia estabilizar-se numa situação respeitadora das liberdades e com maior justiça e equidade social?
São os dilemas que deixam sempre os regimes autoritários e de poder pessoal (de que o nosso Alberto João Jardim é uma pequena amostra).
JF / 16.Jan.2010

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